Wednesday, December 12, 2007

(In)confidências

Desde que a minha irmã decidiu ir para Inglaterra a minha sobrinha L está a viver comigo. Perdi a minha privacidade. O meu quarto agora é nosso e já não tenho sítio para estar, para pensar, para praguejar, nem para chorar! Mais complicado ainda é acompanhar e lidar com a fase da puberdade. A primeira paixão, as confidências, as incertezas, as perguntas que lhe assaltam a cabeça. Nunca tive experiência de partilha de confidências, não aos 11 anos. Apesar de ter uma irmã mais velha, sempre fui demasiado reservada. Só muito mais tarde soube o que era partilhar intimidade e fi-lo com a minha prima U. Agora estou na boca do lobo, deixada às feras duma pré-adolescente. Olho para ela e continuo a vê-la como um bebé, o meu bebé! Hiperventilo ao contrário e finjo-me de contente e feliz, ouvindo os seus imaturos ardis e conspirações para conquistar a sua primeira paixão de liceu. Além de tia, tenho o cargo de confidente da casa, logo eu! Sim, logo eu que olho para ela e penso " Pq n começas a namorar aos 25 anos?" "Não sabes que os beijinhos na boca causam infecções e podem dar em desarranjo intestinal, irra" Refugio-me neste egoísmo desenfreado! Como se não me lembrasse que também passei pelo mesmo. Muita tecnologia mais tarde mas "girls will be girls". A puberdade não conhece século, nem época. Aconteceu comigo e está acontecer com a L. A diferença é que não punha ninguém a hiperventilar! Mas cá estou para a enfrentar a besta de frente, qual forcado! Amo-te muito L

3 comments:

Crezia said...

Clap clap clap
Este era o comentário quando li o post mas não pude deixar logo.
Depois de saber tudo como deve ser, duas conclusões: a L está muito crescida e conhece muuuuuito bem a tia. :)
Beijinhos

Lady_Bug said...

Como sabes, eu sou muito previsível..hihihhihihi

Nuno Felício said...

Hiperventilar é um verbo tótil e fixe ao mesmo tempo e em simultâneo. Agora essa história de que os beijos na boca podem causar desarranjos intestinais e cenas assim é que me deixa boquiaberto e com as aftas à mostra... Estamos sempre a aprender. Bom Natal, pá!